Final da década de 50. Mais precisamente 1958. A cidade queria novidades, o povo estava ávido por acontecimentos ímpares.
Dentro deste clima de euforia, havia um jovem idealista, grande desportista, funcionário da extinta Cia. Prada de Eletricidade. Este jovem chamava-se Ney Montes Pinto. Ele resolveu em sua atividade paralela, membro da Diretoria do Araguari Atlético Clube, time de futebol famoso de Araguari, criar um time de futebol feminino, composto por jovens moças de nossa sociedade.
Reuniu-se com os demais membros da então Diretoria, dentre eles, Paulo Nogueira Cruvinel, Genú Nogueira Cruvinel, Ovídio Nogueira Cruvinel, Omar Mujalli, Neje Mujalli, para lançar a idéia e partir de imediato para a empreitada.
O principal motivo que levou a Diretoria a criar o time de futebol feminino, foi para atender o pedido da Diretora do Grupo Escolar Visconde de Ouro Preto, que contátou Ney Montes Pinto, um dos diretores do Araguari e o mesmo abraçou a idéia.
A mesma foi divulgada pela cidade, para as famílias araguarinas que entenderam de imediato a finalidade do empreendimento, que nada mais era divulgar o nome de nossa Araguari por este Brasil afora. Paulatinamente, as moças, futuras atletas foram se inscrevendo para serem selecionadas para a formação do time que contaria com duas equipes.
Assim sendo, o futebol feminino de Araguari surgiu devido a uma grande necessidade que uma escola de Araguari estava passando - o Grupo Escolar Visconde de Ouro Preto.
A Diretora da escola, na época Isolina França Soares, era noiva de um grande amigo de Ney Montes, Otoniti Torres, e resolveu pedir ajuda para o Ney, que fazia parte da diretoria do Araguari, para que fosse feita uma partida com a renda para ajudar o Grupo Escolar.
Ney explicou para a diretora que não podia fazer um jogo de futebol com a renda toda para a escola, porque o jogo tinha que cumprir taxas da federação de futebol, autorizações, taxa para juiz, bandeirinha, liga, enfim não daria renda nenhuma.
Então teve uma idéia de fazer um jogo inédito, formado por moças da escola, que seriam treinadas pelo Luiz Benjamim de Oliveira, sob supervisão dele. Sugeriu montarem dois times de futebol, de moças estudantes e a renda seria toda da escola.
Isolina Soares se prontificou a chamar as moças se Ney garantisse que daria todo apoio técnico. A diretora conseguiu mais de 45 moças, e as melhores foram selecionadas.
O primeiro jogo foi um sucesso, em jogo normal do Araguari, era arrecadado 80 mil cruzeiros, e nos jogo das meninas a renda foi de 312 mil cruzeiros. Foi um sucesso, 2 x 0 para o time mais forte. Esses dados foram baseados em uma entrevista gravada, que a filha do Ney, fez com o mesmo em 1999.
O sucesso foi tamanho que fez com que o Araguari continuasse com a empreitada levando avante o Futebol Feminino por este Brasil a fora.
O técnico, já atuante na equipe masculina, experiência invejável, o conhecidíssimo Luiz Benjamim de Oliveira, recebeu a incumbência de selecionar as moças com aptidão para o futebol e vir a treiná-las para passarem a praticar o nobre e mais popular esporte do mundo, o futebol.
E assim o foi. Times formados, dois, com as respectivas reservas, moças da sociedade, das quais citamos, Marizete Nader, Eleusa, Wisleina, Zalfa Nader, Mirna Amaral, Maria Aparecida (Branca), Magali e várias outras.
Vamos deixar registrado este evento, através de fotografias dos times, fotografias estas tiradas a cada acontecimento e que nos foram fornecidas pela ex-atleta Marizete Nader e por Foto Gebhardt.
e

Neste recorte de jornal, podemos ver o time de futebol feminino do Araguari, no Aeroporto de Peregrinos, na Bahia. A delegação estava em tournée para divulgação do futebol feminino, assim como também de nossa cidade. Podemos observar um Douglas DC-3, da Real Aerovias em sua escala na Bahia. Na porta do avião, a atleta Zalfa Nader, juntamente com sua irmã, Marizete Nader. O sucesso foi total.

Em seguida vemos as equipes do Fluminense e do Araguari, prontas a iniciar um jogo de demonstração. Eram todas do Araguari, porém com as camisas do Fluminense para exibição.
e

Foto histórica do 1° Time de Futebol Feminino do Brasil, por que não dizer do mundo, em visita a Salvador. Vemos o idealizador e criador do time, Ney Montes Pinto, ladeado por Eleusa, Wisleina, Eloísa Rodrigues, Marizete, Zalfa, Magali, dentre outras. Esta senhora que aparece à esquerda na foto, vem a ser a pessoa lá da Bahia que promoveu a demonstração das duas equipes. Isto em 1958.
Ney Montes Pinto, grande desportista, era funcionário da extinta Cia. Prada de Eletricidade. Tivemos a oportunidade de trabalharmos com ele, de 01 de junho de 1960 até 1976. Em 1973, a Cia. Prada foi transferida via Eletrobrás, para a CEMIG. Permanecemos até 76, quando nos desligamos para exercermos nossas atividades profissionais.
e

Nesta outra foto, podemos observar o sucesso do time, que convidado ia até às cidades para exibições. Na foto vemos em Belo Horizonte, vestidas com os uniformes do América Mineiro e do Clube Atlético Mineiro, prontas para exibições. Demonstrações de como a mulher também poderia praticar o esporte rei.


Podemos identificar agachado, Ney Montes Pinto, segurando a bola do jogo. Paulo Nogueira Cruvinel, membros da Diretoria, as jogadoras sorridentes.
e e
ee

Após alguns anos, na Bahia, incentivados por Araguari com seu time, criaram uma equipe feminina denominada Radar. Porém durou pouco tempo.
A C. B. F., juntamente com a Federação Mineira de Futebol, com a adesão de órgãos religiosos, realizaram um movimento que veio a extinguir o Futebol Feminino dos gramados do Brasil.
e

Encerrava-se assim aquela fase bonita e atrativa que tivemos a oportunidade de vermos nascer. Pudemos acompanhar vários jogos. Vermos o entusiasmo de Ney Montes Pinto, sua luta, seu empenho, sua tristeza quando tiveram por força de Lei, encerrar as atividades futebolísticas.
Hoje, sua família, reside em Uberlândia por força do trabalho, pois Ney foi para lá transferido pela CEMIG em 1976, onde trabalhou até sua aposentadoria. Veio a falecer em 2004, sendo sepultado aqui em Araguari. Sua família por lá se encaminhou e permaneceram.
Sua filha, Teresa Cristina de Paiva Montes Cunha, está realizando um documentário a respeito do assunto. Tem vários relatos gravados e filmados de seu pai a respeito da história do Futebol Feminino de Araguari.
e
Era o que tínhamos.
Que Deus nos abençoe.
Um abraço.
7 comentários:
Que time! Também com incentivadores como Mujallis e Cruvinéis.
Tal matéria não pertence a um ponto de vista, mas a um ângulo panorâmico do plano.
Peron non muito! Só mais um trocadilho e nada mais!
Parabéns!
Aristeu, o verdadeiro artífice da empreitada, foi o desportista e um dos diretores do Araguari na época, Ney Montes Pinto, funcionário da extinta Cia. Prada de Eletricidade, antecessora da CEMIG. Trabalhamos juntos por 16 anos. Gratos pelo comentário, assim como pelo trocadilho. Peron Erbetta,
Nossa, que legal! pude minha tia Wisleina nas fotos !minhas primas, as filhas dela tem que ver isso,vão adorar! até minha mãe, irmã dela,Iraides aparece em 2 fotos! adorei!
dou o maior incentivo para que vcs montem um documentário ou um livro sobre o assunto afinal o futebol feminino está em alta e ninguém sabe dessa história toda!
Parabéns!
Puxa, as vezes não acredito que Peron não está mais escrevendo artigos e fazendo suas atuações em Araguari. As vezes tenho sensação que ele vai postar um novo artigo, uma esperança, uma saudade...
voce tem alguma foto do time de futebol da antiga compania prada que era um verdadeiro travao do futebol amador daquela epoca.jogadores como gato preto,cabide,pinduca,e etc gostaria de uma previa dos meninos daquela epaca
Saudades de nosso querido Peron.
Teresa obrigado pela lembrança.
Realmente saudades...
Postar um comentário