Naquele tempo, nosso Aeroporto, ainda sem asfalto, era movimentadíssimo, pois aqui desciam a Real Transportes Aéreos, a Aerovias Brasil, a Vasp e a Nacional. Então, o Aeroporto Santos Dumont, fazia jus ao nome, pois o tráfego aéreo era espetacular.
Assim sendo, este moço que ia fazer as experiências com foguetes, tinha que escolher um horário que pudesse usar à vontade, e este horário era entre 14:00 e 16:00 horas.
Era simplesmente espetacular vermos os foguetes, todos artesanalmente feitos por ele, movidos não sabemos por qual combustível, pois era impossível chegar perto. Quando acionados a distância subiam verticalmente e com o alcançar das alturas, se curvavam, iguais os imensos foguetes que hoje atingem Marte, como se procurando o local de seu pouso, que nem sempre era suave, muito pelo contrário, era em choque com o chão.
Outras vezes, os foguetes explodiam no chão, causando aquela decepção e tristeza na turma que lotava o Aeroporto. Mas enfim, era uma sensação o acontecimento deste jovem que já fazia experiências para o futuro que o esperava.
Tempos passados, conhecemos pessoalmente o protagonista de nossa história de hoje, porque sua esposa, na década de 60, passou a estudar piano com nossa irmã, coisa que aproximou nossas famílias.
Estamos nos referindo ao araguarino de quatro costados, Wiliam Rady.
Homem simples, discreto, modesto, mais ouve do que fala, o que vem demonstrar sua forma de viver.
Sua esposa, vem a ser filha do casal Waldemar Borges e da senhora Eni Borges. Pais do Walny, Walby e de Waldeny Borges.
Nossos pais, foram padrinhos de casamento por parte da noiva.

Daí surgiu uma amizade, cultivada principalmente pela nossa irmã Aparecida (Cida) e Waldeny. Se comunicam semanalmente de São Paulo a Goiânia. Onde cada uma reside.
Mas esclarecido o fato da amizade formada, vamos lá, continuar a narração de nossa história.
Completado o Curso Cientifico no Colégio Regina Pácis, o Wiliam foi embora em busca do saber. Foi para São Paulo, cursar Engenharia Industrial, na FEI, e, de lá, visitando constantemente sua terra, Araguari, tanto para rever seus pais, como a sua noiva e aos amigos que deixara para matar saudades.
Mas caros Leitores, para que conheçam minuciosamente a vida deste araguarino que lá longe nunca esqueceu sua terra, resolvemos transcrever sua biografia, da forma discreta que dissemos ser possuidor.
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Externato Santa Terezinha
Jardim de Infância: de 1.942 a 1.944
Primário, de 1945 a 1.950
Admissão ao Ginásio: 1.951
Colégio Regina Pacis
Ginásio: de 1.952 a 1.955
Científico: de 1.956 a 1.958
Anglo-Latino, São Paulo, 1.959
Faculdade de Engenharia Industrial – FEI, São Paulo
Engenharia Mecânica, de 1.960 a 1.964
Cursos Pós-Graduação:
MBA - Fundação Getúlio Vargas, São Paulo.
MBA - Universidade de Reichelsheim, Alemanha
Volkswagen do Brasil: de Janeiro de 1.965 a Junho de 1.982 Cargos: de Engenheiro Estagiário até Gerente Geral de Produção Mecânica ( Motores, Câmbio, Juntas Homocinéticas ).
Freudenberg A.G.: de Julho de 1.982 a Julho de 1.987.
Cargo: Diretor Técnico
Erico do Brasil: de Agosto de 1.987 a 31 de Dezembro de 1.997
Cargo: Diretor Presidente
W. RADY & Sons Ltda.: com seus dois filhos Darwin e Cícero, respectivamente Engenheiro Mecânico e Técnico Mecânico, fundou essa nova Empresa em Janeiro de 1.998.
Em Agosto de 2.000 a W. RADY & SONS associou-se à BRAR Elettromeccanica SRL., de Mantova, Itália, tendo mudado a razão social para: BRAR & W. RADY LTDA.
O Grupo BRAR tem fábricas na Itália, França e Brasil, estando iniciando nova fábrica na Argentina, em Buenos Aires.

É fornecedor exclusivo para todas as fábricas de automóveis do Brasil, Argentina, Venezuela, Chile, Colômbia e Equador. Todas as Siderúrgicas brasileiras, principalmente o Grupo GERDAU recebem cabos W. RADY, que são exportados também para a Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Guatemala, Colômbia, Equador e México.
A Empresa é homologada ISO 9001/2000 pela BSI – British Standards Industry da Inglaterra.
Durante sua atuação na Volkswagen, fez diversas viagens técnicas a Alemanha,
às fábricas de Wolfsburg, Hanover, Salzgitter e Ingolstadt.
Como Diretor da Freudenberg, residiu em Heidelberg e Weinheim am der Bergstrasse, na Alemanha, durante o ano de1.982.
Na W. RADY faz freqüentes viagens para visitar seus clientes em toda a América Latina.
Hobbies:
Foi piloto Privado durante alguns anos, tendo possuído 3 aviões monomotor(es).
É estudioso de História da Segunda Guerra Mundial, tendo visitado os principais campos de Batalha na Europa (Verdum, na França, Monte Cassi no e Monte Castelo na Itália, Praias da Normandia onde se deu a invasão aliada em 1.944, Tarquinia, Base do 1°Grupo de Caça da Fôrça Aérea Brasileira, Passo de Casserine, onde o General George S. Patton travou sua mais sangrenta batalha contra os alemães)
Conheceu pessoalmente o maior Ás da Luftwaffe, Erich Hartmann, que abateu 352 aviões aliados no Norte da África.
Conheceu também o piloto do B-29 “ Enola Gay “, Paul Tibbets, que lançou primeira Bomba Atômica sobre Hiroshima. Paul Tibbets faleceu no fim do passado.
Musica:
Aprecia os Concertos de Violino de Paganini, Beethoven e Mendelsohn. Visitou recentemente em Cremona, Itália, a casa de Antonius Stradivarius, que construiu no final do século 17 até o início do século 18 os melhores violinos conhecidos até hoje.
Em 1.982 conheceu pessoalmente na Alemanha, em Mannheim, o “ Violinista do Século “, Yehudi Menuhim, falecido recentemente.
Condecoração:
O motivo da condecoração foi o serviço prestado à FAB, através do Museu “ ASAS de um SONHO “, na preservação da História da Aviação Brasileira. Sob sua coordenação
foram restaurados os seguintes aviões históricos da FAB:
Thunderbolt P-47, do 1° Grupo de Caça, que lutou nos céus da Itália.
Gloster Meteor F-8, primeiro caça a jato da FAB.
Curtiss Biplano, usado em treinamento pela FAB na década de 40.
Wacco biplano.
Stinson Reliant.
Restaurou, durante seis anos, em Araguari, o FORD 1.929 que pertenceu ao seu pai e ao tio Afif. A restauração foi feita 100% com peças originais da Ford americana, inclusive a tinta que também importada dos Estados Unidos.
Agora nossos leitores sabem do valor, da garra, da persistência, que Wiliam Rady é possuidor. Sabem também do grande amor que tem por sua terra, Araguari. Com sua simplicidade, os araguarinos nem notam quando ele está na cidade, a não ser quando passeia em seu Fordinho 1929, herança de seu pai Assad José Rady e de seu tio Afif Rady.
Puderam observar que é um estudioso da 2ª Grande Guerra Mundial. Procura visitar e conhecer participantes da mesma. Gosta de ir ao local das batalhas sangrentas que existiram, ver onde nossos homens tombaram junto com os aliados.
Seu círculo de amizades é imenso, tanto pelo fato de ser um grande industrial aqui no Brasil e lá na Europa, com fábricas de produtos automotivos, como pela facilidade de comunicação com sua forma simples e sincera de viver.
João Amaro, irmão do saudoso Comandante Rolin, proprietário da TAM, viaja com ele para a Europa para ampliar os conhecimentos pós guerra.
João Amaro, foi piloto aqui em Araguari do senhor Rossini Aguiar. Morava ali onde hoje funciona o jornal Diário, logo abaixo do Clube Recreativo Araguarino, juntamente com uma turma de rapazes que faziam uma república, dentre eles, o Cairo Damião da Soberana Tecidos.
Para melhor ilustrarmos nossa matéria, vamos publicar algumas fotos, para que todos os Leitores, saibam que nossa terra, gera grandes homens, homens que aqui não podem permanecer pela falta de espaço para se expandirem. Assim vamos perdendo jovens e mais jovens no decorrer dos tempos. Mas o importante, é que lá fora, honram o nome de Araguari, divulgando-o positivamente.

Na foto seguinte, vemos quando a solenidade era preparada para sua realização. Postada em frente ao Pavilhão Nacional, a Banda de Música, a postos para a execução do Hino Nacional.
Esta solenidade em Cumbica, se deu em 16 de maio de 2008.
Em seguida, a outra foto nos mostra o homenageado Wiliam Rady, a postos para receber o Diploma de Membro Honorário assim como a medalha de Honra ao Mérito. Está ladeado por civis e militares ilustres.


A foto foi tirada no dia que terminaram sua restauração. Foi pintado nas cores do piloto alemão “Hans Joachim Marselle”, distinguido com o título de “Major Virtuose” da 2ª Guerra Mundial.
O MESSERSCHMITT ME 109, foi um dos melhores caças alemães da 2ª Guerra Mundial.
Marseille, seu piloto, morreu aos 23 anos quando voltava de um combate no norte da África.
Juntamente com João Amaro (TAM), Wiliam irá em agosto próximo visitar o local exato onde ele caiu, ao sul de Trípole, na África.

Foto 2 – O “Corsair” do Museu, onde aparece o João Amaro, irmão do falecido Comandante Rolin Amaro. Wiliam, mantém com o mesmo uma grande amizade, e, trabalham juntos no “Museu Asas de um Sonho”.


Foto 4 – O “Corisco” – O terceiro avião de Wiliam Rady.

Foto 5 – O Jeep 1942 no Museu Asas de um Sonho. À frente podemos ver a esposa do Wiliam, senhora Waldeny, juntamente com a filha de ambos, Patrícia, médica. O Jeep tem o seu nome.

Foto 6 – Outra foto do Jeep, totalmente restaurado por Wiliam Rady, que arrematou-o em um leilão do Exército há uns 25 anos atrás. Esta 100% original. Após a reforma, foi doado por Wiliam ao Museu Asas de um Sonho, para ficar junto ao lado do avião de caça da Marinha Americana “F4U-I-Corsair” pelo fato de ambos terem lutado juntos em Guadalcanal, no Pacífico durante a 2ª Guerra.

Foto 7– Foto tirada um dia antes da inauguraçãodo museu ASAS de um SONHO , em novembro de 2.006. Wiliam está a direita, entre o João Amaro e seu filho Hugo, que é Comandante do Airbus A 320.
Isto caros Leitores, foi um relato resumido da vida deste grande homem araguarino, pouco conhecido entre os araguarinos, grande conhecido por este mundo a fora. É um araguarino. Adora Araguari. Estando sem compromissos para cá vem, não importa o dia da semana. O que ele quer é estar entre os familiares, os amigos, os demais parentes, cortar cabelo lá no salão do Júlio, bater papo com aqueles que lhe querem bem. A reciprocidade existe.Um fato importante. Além do Jeep 1942 do tempo da guerra que o Wiliam restaurou e presenteou o Museu com o mesmo, restaurou também dois veículos com as próprias mãos, como hobbies.

Esta outra foto, ilustra seu outro carro de coleção. Um DKW Vemag. 1963. As portas dianteiras abriam-se para trás. Este carro foi de propriedade do senhor José Coelho de saudosa memória. Ele trabalhava com baterias de carro, na rua Olegário Maciel, em um cômodo comercial ao lado de sua residência.

E assim caros Leitores, chegamos ao final de mais um relato.
Desta feita de um araguarino ilustre, industrial no Brasil e na Europa, sendo que dentro em breve estará com seus produtos na América do Sul.
Ficamos orgulhos e envaidecidos de podermos narrar aquilo que temos como de grande importância para nossa cidade, assim como temos certeza de que vocês irão gostar do que leram e do que viram nas fotos ilustrativas. Fotos estas todas de responsabilidade de Wiliam Rady, cedidas gentilmente para fazermos a matéria.
Era o que tínhamos.
Que Deus nos abençoe.
Um abraço.