O Edmar está realizando um trabalho histórico sobre a Estrada de Ferro Goiás e esse foi o assunto que prevaleceu em nosso encontro. São suas as obras Batalhão Mauá, Afif Rade, São Gabriel, A Voz da Selva e Pedro Moreira.
Artigos, opiniões, notícias e comentários da cidade de Araguari-MG por Antonio Fernando Peron Erbetta (1942-2009), como jornalista autônomo e independente.
O Edmar está realizando um trabalho histórico sobre a Estrada de Ferro Goiás e esse foi o assunto que prevaleceu em nosso encontro. São suas as obras Batalhão Mauá, Afif Rade, São Gabriel, A Voz da Selva e Pedro Moreira.
Caros Leitores,
Em 07 de junho, um sábado do ano de 2008 no Blog Ponto de Vista fizemos uma postagem intitulada Araguari, Berço do Futebol Feminino, narrávamos fatos realizados por um grupo de araguarinos que deixavam sua marca na história da cidade.
Essa matéria nasceu com o apoio da Teresa Cristina de Paiva Montes Cunha, e foi o primeiro passo na sua busca em realizar um documentário a respeito desse assunto.
Outro passo foi dado com a publicação da notícia "Veja como nasceu o futebol feminino no Brasil" no site do jornalista Milton Neves em 26 de setembro de 2008.
http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/Noticias/Conteudo.aspx?id=77345
Agora mais um passo importante foi dado no dia 11 de janeiro do ano de 2009, quando foi apresentada no Esporte Espetacular da Rede Globo uma reportagem dando projeção nacional a esse assunto.
Das linhas modernas adotadas, nosso pai, Julio Erbetta, se entusiasmou com a linha Ford.
eConforme matérias anteriores, o senhor José França, era o agente em Araguari. A loja expositória e casa de peças, funcionavam onde hoje é o Diomedes com a Buggy. O posto de gasolina em anexo, onde hoje é a farmácia São Sebastião, do “Piosco”. As oficinas funcionavam no imenso prédio da rua Jaime Gomes, entre a Afonso Pena e Rodolfo Paixão, onde por último funcionou a escola IPEA. O chefe das oficinas era o Marcondes Ungarelli. A exposição de veículos passou posteriormente para onde hoje é o “IT Magazine”.
Em junho de 1951, nosso pai, entusiasmado com o “Fordão 51”, influenciado que foi pelo senhor Ernesto Golia, que possuía um de cor creme, fez a encomenda do dele, encomenda esta com a recomendação ao “França” (como era chamado), de que seu filho, Geraldo França, fosse o condutor do mesmo de São Paulo até Araguari. Recomendou ainda que fosse colocado um coxinilho no lado do motorista, para que ninguém sentasse ao volante, no banco original a não ser ele. Assim foi feito. O Geraldo França trouxe o carro de São Paulo até Araguari dentro das recomendações feitas pelo nosso saudoso pai. Foi a realização de seu sonho.
Para melhor ilustrar a história, o “Miltinho”, foi junto com o Geraldo a São Paulo, trazendo mais um Ford 51, sob encomenda para Araguari.
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Isto aconteceu justamente no dia 03 de dezembro de 1951. Faltavam 27 dias para o ano se encerrar e o carro estava chegando. Chegou na véspera do aniversário dele, 04 de dezembro. Foi seu presente de aniversário. Era verde garrafa.
O carro custou à vista, Cr$ 112.000,00, mas com os equipamentos colocados, ficou por Cr$ 113.800,00. O sacrifício de uma vida de trabalho, compensada com a aquisição de seu primeiro veículo.
Quando da encomenda feita em junho de 51, uma série de amigos de nosso pai, aderiram pelo seu entusiasmo a idéia de possuírem um Fordão 51.
Assim, as encomendas foram feitas e recebidas pelos senhores Hamilton de Oliveira Santos, morava onde hoje é a continuação da rua Maricota Santos, aquela casa demolida na Cel. José Ferreira Alves, dá acesso na rua Achileu Nogueira. Era um Ford azul, lindo.
O senhor Jovino Bittencourt, com um belo 51 creme. O senhor Eugênio Nasciutti, recebeu um cinza. Rossini Aguiar possuiu um duas portas. O senhor Julio Ribeiro, tinha um creme, muito zelado, sempre na garagem ali na Tertuliano Goulart com a Praça Farid Nader.
O taxista Manoel (fugiu-nos o sobrenome), residia onde hoje é a Casa dos Parafusos, posteriormente foi para Brasília com sua fundação, levando seu 51 azul.
Os nossos amigos, Dormeval Gonçalves de Araújo, juntamente com seu irmão João Gonçalves de Araújo (eles mesmos buscaram em São Paulo, um azul e um creme) e também, atendendo a insistência do nosso amigo Dr. Péricles Barbosa (possuidor de uma memória fantástica) o taxista de saudosa memória, José Teia.
Um detalhe para melhor ilustrar, é o de que o marido de nossa então Miss Minas Gerais, Carlene Alves, também possuía um Ford 51 azul claro, e sempre que aqui vinha, a viagem era feita nele. Chama-se Hélio de Souza, trabalhava na Cia. Brasileira de Sinalização. Engenheiro aposentado, residente em Belo Horizonte.
Muitos dos citados já nos deixaram, mas seus familiares, temos certeza, irão se lembrar destes anos felizes, quando seus pais, com os carros lotados por eles, na época crianças como nós, fazíamos nossos passeios nos locais pitorescos de nossa cidade nas tardes de sábados e em longos piqueniques domingueiros. Foi um belo tempo.
Para completar os carrões desta década, citamos possuidores de outras marcas, trazendo nas memórias, bons tempos vividos pelas famílias araguarinas.
Elias Daher possuía um Kaiser vinho 51. Mário Abdala do curtume possuía um Chevrolet 51. O senhor Paulino Abdala, um Buick verde 50 quem o dirigia era sua filha Geni.
Estevan Suzelbeck do Pálace Hotel com sua Buick sedanete 50. Justino de Carvalho possuía um Pontiac, saia e blusa, duas cores, amarelo e verde no teto, ano 51.
Osmundo Rodrigues da Cunha com seu Chevrolet 51 cinza. Mário Lieggio com sua Studebaker 51 hidramática. Tim Lieggio com seu Ford 42 creme.
O Dr. João Isaac Neto uma Studebaker verde, 51. O José Machado com sua Chevrolet 51, também taxista. O Manoel Póvoa possuía uma camioneta Bed Ford (Inglesa).
José Zacharias com sua Chevrolet 51. O José Chico, do Banco Comércio de Minas com a camioneta International pelo fato de ser caçador e transportar os cães de caça.
Manoel Lemos tinha uma Chevrolet 53, pára-lamas em desenhos ovais. O belo Ford 55, vermelho e branco do França. Miguel Debs com a Chevrolet 51.
Eduardo Rodrigues da Cunha, Chevrolet saia e blusa, duas cores (como eram chamadas na época). O Lazumberto Araújo com a camioneta Studebaker 51 vermelha com os para-lamas pretos.
O senhor Amélio Valente com sua Plymouth 51 e sua camioneta Chevrolet 54 (Marta Rocha). Assad Saad também tinha uma Plymouth 51. Antônio Bretones com a Studebaker. Joaquim Magalhães usava sua Chevrolet 51.
O Augusto Diniz, assim como Acácio Diniz Póvoa possuíam Doddges Coroned 51, ambos marrons.
E por aí a fora. Naqueles tempos adquirir um veículo do ano era bem difícil, pois os mesmos eram importados e até chegarem no Brasil já estavam vendidos nas grandes capitais. As cidades do interior recebiam muito pouco das remessas, motivo pelo qual, quem tinha não vendia e os usavam por vários e vários anos.
Mas para você caro Leitor, que nos pergunta: e o Ford de seu pai, o que foi feito dele ? Respondemos, em 1975, o vendemos, e o mesmo passou por várias mãos em Araguari, indo acabar sendo levado para São Paulo. Não temos notícias dele, torcemos para que alguém o tenha recuperado e o exiba nas exposições de carros antigos.
O Ford 51 era tão procurado, que o Expresso Zefir, que fazia a linha Santos – São Paulo, era composto deles. De vez em quando, vinham em Araguari tentarem adquirir os aqui existentes.
“Miltinho”, queremos crer que conseguimos arcar com a matéria. Ela foi feita SOB ENCOMENDA. A seu pedido.
Era o que tínhamos.
Que Deus nos abençoe.
Um abraço.
Caros Leitores.
Vamos destacar hoje, um fato deveras importante e marcante para nós, uma vez sua pessoa vir a ser a responsável por nossa carreira como professor por longos anos.
Vamos trazer à tona, a memória do saudoso e inesquecível professor, Maurício Alves.
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Maurício, nosso companheiro, era uma pessoa de uma personalidade marcante e idealista. Homem decidido, bancário de carreira no extinto Banco Mineiro da Produção, advogado, professor de Contabilidade na saudosa Escola Técnica de Comércio Machado de Assis, de nossa inesquecível Mestra, Maria de Lourdes Lisboa Alves de Castro, sendo também sócio fundador da ADCAR, Administradora de Consórcios, além de um exemplar Homem Maçom.
O tempo passado, tornou-nos grandes amigos, sendo que participávamos de várias atividades juntos. A confiança era recíproca.
Numa bela tarde de 1972, dona Wanda Pieruccetti, então Vice Diretora do Colégio Estadual Professor Antônio Marques, telefonou-nos lá na Cia. Prada, onde trabalhávamos, convidando-nos a assumirmos as aulas de O.S.P.B. – Organização Social e Política Brasileira, da qual era o titular o saudoso professor Dr. Geraldo Braga, que por motivo de saúde havia se licenciado por longo período.
Escola Estadual Professor Antônio Marques
Dona Wanda se expressou desta forma: Fernando (assim que ela nos tratava), necessito de você com urgência para ministrar aulas de O.S.P.B., no lugar do Dr. Geraldo, ainda hoje à noite, lá no Machado de Assis para substitui-lo, pois ele se licenciou.
Assustados com o “convite” de dona Wanda, argumentamos que ainda não estávamos preparados para tal. Ela retrucou: não aceito não como resposta. Está definido. Pegue os diários de classe comigo e assuma seu novo posto no período noturno.
Já mais calmo com a notícia, agradecemos a confiança em nós depositada, passando imediatamente a preocupar-nos com nossa nova missão.
Pensamos então: o que fazer e como fazer.
De imediato, encerrado o expediente na Prada, fomos até o Banco Mineiro da Produção, em busca de socorro com nosso amigo, professor Maurício Alves.
Antiga sede do Banco Mineiro da Produção
Contando o ocorrido para ele, de início recebemos os parabéns pelo convite, sendo que em seguida ele após nos acalmar um pouco com a tamanha responsabilidade adquirida, passou a nos orientar da seguinte forma: “Peron, não se apavore. As aulas noturnas são de 45 minutos.
Colégio Machado de Assis
Caros Leitores,
Dr. Neiton de Paiva Neves, advogado, ex-Predeito de Araguari, Diretor da Faculdade de Direito da UNIPAC - Universidade Presidente Antônio Carlos, relembrado no comentário de Carlos Wanez sobre seus programas nas rádios de Araguari, que publicamos anteriormente, nos enviou a seguinte mensagem comentando a respeito das lembranças:
"Caro Peron.
Acabo de ler o texto do Wanes.
Lembro-me perfeitamente dos programas que, ainda estudantes, juntos fizemos nas emissoras de rádio locais. Foi uma rica experiência, que me possibilitou aprender bastante. Foi um parceiro e tanto.
Ele sim, inteligente, bem humorado, culto. Tínhamos uma grande audiência e os programas dominicais eram aguardados e muito comentados. Eram ágeis, alegres, falávamos sobre assuntos diversos e tinha muita música. E comentários sobre questões mais sérias e de interesse da classe estudantil e da comunidade. Acho que demos uma boa contribuição aos colegas de então. Aliás, o movimento estudantil era muito dinâmico e participativo.
O Wanes descreveu como era a coisa com detalhes que me reavivaram a memória, agradável e saudosamente. Sempre que nos encontramos ele me pergunta se não tenho pelo menos um dos programas gravados.
Infelizmente, não tenho. Temos de nos contentar com as nossas lembranças e as dos colegas que partilharam conosco aquela etapa fantástica de nossas vidas que, acredito nos ajudou e nos embasou para viver novas fases, para nós tão significativas quanto e cada qual ao seu tempo, que já vivemos e ainda viveremos, espero.
Também, em outro estágio dos programas estudantis, chegou a participar comigo a boa amiga Jane Godoy, hoje também Evangelista (casada com o Jair) e jornalista conceituada em Brasília, onde reside e atua com sua reconhecida e admirada competência.
Enfim, são fatos de um passado do qual nos recordamos com alegria e saudade e nos é muito precioso. De um passado que nos impulsionou e nos serviu de base e sustentação para seguir em frente com nossas vidas pessoais e profissionais. E aqueles que habitam esse passado são amigos eternos, residem em nosso presente e estarão em nosso futuro, seja qual e de que forma for.
Você é um deles.
Abraço.
Neiton"
É uma satisfação para o Blog Ponto de Vista ver em seu espaço pessoas e lembranças como estas, o que enriquece o seu conteúdo e reafirma o propósito de ser um ponto de encontro dos araguarinos.
Falamos na matéria anterior da necessidade da existência de respeitável padrão de representantes para conduzir os estudos necessários para proposição da idéia da viabilização do turismo na Usina Piçarrão em Araguari, a partir da mensagem recebida e que postamos a seguir já podemos identificar esse conhecimento necessário no arquiteto e urbanista Alessandre Campos.
Ele define com propriedade o conceito de utilização sustentável, baseado no desenvolvimento sustentável que direciona o uso consciente das riquezas naturais.
“Um bem ao ser tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural tem suas características culturais preservadas, assim, as futuras gerações podem conhecer na prática o que significou e o que representa este bem para a sociedade.
Ao tombar um bem de expressivo valor cultural, como é o caso da Usina Piçarrão, jamais se propõe o seu congelamento, a sua ociosidade na paisagem. A reativação da Usina Piçarrão pela CEMIG e sua interligação com o sistema elétrico nacional, vem demonstrar que a Usina tem capacidade produtiva de energia elétrica e está viva.
Desta forma, dotar aquele espaço de um complexo de lazer e entretenimento vem corroborar com o pensamento patrimonial que temos: a utilização sustentável de todo e qualquer bem tombado, pois só assim, teremos a continuidade de nossa cultura garantida, por pelo menos, mais um século.
Mais uma vez, Perón, parabéns por esta iniciativa.
Alessandre Camposarquiteto e urbanista”
"Por diversas vezes, escrevemos e comentamos sobre a velha e maravilhosa Usina Hidroelétrica do Piçarrão.
Assim sendo, deverá ser uma negociação em alto e respeitável padrão de representantes. Argumentos fortes e reais terão que ser apresentados por pessoas que realmente entendam do assunto turismo.
04 – Asfaltamento da via de acesso daquilo que se tornará no maior cartão postal de Araguari, o melhor ponto turístico da terra, o local que transformará a cidade, colocando-a realmente no Circuito Turístico de Minas Gerais.